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quarta-feira, 29 de junho de 2011

O Desenvolvimento do Apego Psicológico na Criança Parte 4- Persistência e Influência dos Modelos







5. Persistência e influência dos modelos (1 a 3 anos)



Estudos longitudinais têm demonstrado que os padrões de apego de uma criança, aos doze meses, são altamente estáveis e persistem com poucas mudanças até os três anos de idade.

  • Crianças percebidas com apego seguro aos doze meses são percebidas aos três anos como mais espertas, cooperativas, queridas e fáceis de lidar. 
  • Crianças com apego ansioso ambivalente são percebidas como afetivamente distantes, hostis e ao mesmo tempo precisando de muita atenção. 
  •  Crianças com apego ansioso evitador são percebidas como requerendo contínua atenção, com baixa tolerância à frustração, e às vezes passivas e incapazes. 
  •  Mães cujos bebês estavam seguramente apegados aos doze meses, aos dois anos tratavam seus filhos com apoio atento e sensível, respondendo tanto ao sucesso quanto aos fracassos, estimulando as crianças de forma positiva. Essa crianças se mostravam mais entusiasmadas, cooperativas e persistentes, atentas às sugestões maternais. 
  •  Mães de crianças com apego ansioso tratavam a criança de forma menos atenta ou sensível; algumas davam respostas tardias ou inúteis, outras ignoravam seus filhos ou rejeitavam seus pedidos de ajuda. 
A classificação do apego, embora baseada somente no comportamento da criança, reflete a história da sensibilidade de quem cuida dela. A qualidade que de início pertence a uma relação e dele emerge, com o passar do tempo se torna qualidade intrínseca do indivíduo.

 6. Desenvolvimento das Habilidades de Relacionamento (a partir de 4 anos)

A partir dos quatro anos a criança começa a desenvolver habilidades de relacionamento interpessoal com outras crianças. Através do contato com os irmãos e colegas a criança desenvolve em maior ou menor grau uma série de competências ou capacidades necessárias para conviver com outras pessoas de idade e status semelhante, tais como:

  • Capacidade de se comunicar, tanto de ouvir o outro quanto de se expressar com clareza e adequação. 
  •  Capacidade de lutar, ser ativo e persistente na defesa das próprias necessidades; aprender a vencer e a perder. 
  •  Capacidade de perceber as necessidades do outro e respeitá-las; cooperar, agir em grupo. 
  •  Capacidade de brincar e ter lazer com outras pessoas. 
  •  Capacidade de lidar com inveja e ciúme de maneira adequada. 
  •  Capacidade de usar a agressividade de maneira funcional e não destrutiva.
 Crianças com uma boa relação com suas figuras de apego têm maior probabilidade de ter um desenvolvimento social e afetivo adequado com outras crianças de idade semelhante, com conseqüências futuras significativas.


Curso de Pós Graduação em Aconselhamento - FTBSP

Autora:
Mª Madalena Borges Araújo Psicóloga – Terapeuta de Grupo, Família, Casal e Indivíduo Especialista em Terapia Familiar Sistêmica

Postado por Abner Morilha




terça-feira, 14 de junho de 2011

O Desenvolvimento do Apego Psicológico na Criança Parte 3- Padrões de Apego




4. Padrões de Apego
A Mãe sensível é empática e sintonizada com as necessidades do bebê, ajustando-se a ele e comportando-se de maneira que o satisfaça. A criança, em vez de se tornar infeliz, manhosa e exigente, começa a desenvolver autoconfiança positiva como confiança na mãe e prazer por sua companhia.
As Mães insensíveis, evasivas ou rejeitadoras, criam bebês frustrados, ansiosos e difíceis.
4.1 Apego Seguro
Estudos revelam que crianças com apego seguro são crianças que exploram ativamente o ambiente, especialmente com as mães presentes, usando-as como base, ou seja, orientando o comportamento de exploração em relação à mãe, trocando olhares, indo e voltando. Quando as mães retornavam após ausências, as crianças as recebiam calorosamente e buscavam intimidade de maneira não ambivalente.
Esses bebês têm expectativas positivas quanto ao comportamento da mãe; usam sua proximidade como base segura, a partir da qual podem explorar o mundo; quando aflitos buscam a mãe ativamente; quando a encontram, deixam-se confortar, sem raiva nem ambivalência.
Esse grupo de bebês tinha mães com alta sensibilidade materna, durante o primeiro ano de vida. (70% da amostra)
4.2 Apego Ansioso Ambivalente
Esse grupo é constituído por crianças passivas que exploravam pouco o ambiente, chupavam o polegar ou se embalavam, demonstrando estar sempre ansiosas sobre o paradeiro da mãe, choravam muito em suas ausências, mas quando estavam juntos oscilavam em buscar proximidade e rejeitar a mãe, resistentes e bravas, num típico quadro de ambivalência. Essas crianças tinham baixos limiares de ameaça, extrema ansiedade de separação e dificuldade de serem confrontadas pela figura de apego, demonstravam petulância e rejeição raivosa às aproximações maternas.
Essa mistura de preocupação e forte busca de contato - com recusa de ser confortado e rejeição raivosa (ambivalência) – revela um modelo de relacionamento internalizado baseado em um cuidado inconsistente.
Pais que se revelam disponíveis e prestativos em algumas ocasiões e em outras não. (10% da amostra)
4.3 Apego Ansioso Evitador
Esse grupo englobava crianças que ora pareciam muito independentes, ignorando as mães, ora tornavam-se ansiosas, tentando reencontrá-las. Quando a mãe retornava, essas crianças fingiam que não percebiam, não a procuravam ou recusavam o contato. Quanto mais estressada está a criança, por sentir-se ameaçada, maior é a evitação da mãe.
Essas crianças davam a impressão de frieza, independência e falta de apego.
Esse padrão é propiciado por mães que têm horror de contato físico, frieza e indiferença emocional, ou demonstram raiva e agressividade frente às demandas do bebê; nos casos graves submetem a criança a vivências crônicas e estáveis de rejeição e abandono. (20% da amostra).
Bowby argumenta que a criança percebe a figura de apego como não disponível e a si próprio como não merecedor de ser cuidado.
Curso de Pós Graduação em Aconselhamento - FTBSP
Autora:
Mª Madalena Borges Araújo Psicóloga – Terapeuta de Grupo, Família, Casal e Indivíduo Especialista em Terapia Familiar Sistêmica


Postado por Abner Morilha

domingo, 8 de maio de 2011

O Desenvolvimento do Apego Psicológico na Criança Parte 2- Introdução











1 Introdução







Segundo Bowlby (1969), o bebê humano já nasce com a predisposição genética para desenvolver laços afetivos com aqueles que interagem na primeira infância. O nascimento do primeiro vínculo afetivo da criança é concebido como sendo conseqüência de certos padrões pré-programados de comportamento de primeiro semestre de vida (choro, olhar, agarrar-se etc.) terem se tornado focados na figura da mãe ou substituta a partir do sétimo mês.

Chama-se comportamento de apego toda a forma de comportamento que tem como meta a obtenção ou manutenção de proximidade com outra pessoa específica e preferida (considerada mais apta para lidar com o mundo) chamada de figura ou objeto de apego.

Padrões patológicos de comportamento podem existir em qualquer idade e indicam sempre a existência de desvios no desenvolvimento. “Os determinantes principais do curso desenvolvido pelo comportamento de apego de uma pessoa e o padrão pelo qual ele se torna organizado são as experiências que a pessoa teve com suas figuras de apego durante seus anos de imaturidade - quando bebê, criança e adolescente”.

O desenvolvimento do apego, intimamente ligado ao desenvolvimento cognitivo e motor da criança, depende da interação entre maturação e aprendizagem.

2 O Desenvolvimento do apego na criança (0 a 12 meses)

A partir do nascimento até mais ou menos dois meses, o bebê já demonstra orientação e sinalização para as pessoas a sua volta, mas sem preferência por uma figura específica.

Embora a criança não nasça gostando de ninguém, já nasce pré-programada (através do equipamento perceptivo, motor e do choro) para buscar proximidade com os seres humanos que cuidam dela. É a interação sócio-afetiva dos primeiros meses que levará ao apego – vínculo internalizado, que na espécie humana aparece somente na segunda metade do primeiro ano.

A partir de sétimo mês, o bebê passa a buscar ativamente a proximidade de uma ou mais figuras através da sinalização e locomoção. Instala-se rapidamente sinais de apego diferenciado.

Pesquisas revelam algumas variáveis determinantes que apontam as pessoas com quem a criança se apega:

* Rapidez com que a pessoa responde ao choro;

* Prontidão e iniciativa de interação social (brincar, rir, conversar);

* Sensibilidade da pessoa para responder aos sinais da criança;

* Quantidade e natureza de interação entre mãe e filho (prazer mútuo no relacionamento)

3 Funcionamento do sistema de apego

O comportamento de apego é ativado por condições do mundo interno e / ou externo, por exemplo:

* A estranheza e o mal estar em função do cansaço e da doença;

* O medo;

* A percepção da falta de disponibilidade ou responsividade da figura de apego.

A desativação se dá por outras condições, por exemplo:

* Um ambiente conhecido e seguro;

* Uma resposta pronta e receptiva da figura de apego.

O sistema de apego funciona como um termostato que se liga com determinados estímulos e se desliga com outros, exemplo, suponhamos que uma criança de 18 meses está distraída brincando e a mãe sai do ambiente abruptamente.

* O estímulo saída da mãe, liga o sistema de apego; a criança chora, esperneia, quer ir atrás.

* Se a mãe retorna e a atende, ela volta a sentir-se segura.

* O estímulo ser cuidada desliga o sistema de apego – ela volta tranqüilamente a brincar.

A partir dos três anos, os comportamentos de apego tornam-se menos evidentes, quer em termos da freqüência com que ocorrem, como da intensidade. Mas se mantém como parte importante do repertório comportamental do ser humano, durante toda a infância como também durante a adolescência e a idade adulta, quando novas relações de apego se estabelecem.



Curso de Pós Graduação em Aconselhamento - FTBSP



Autora:
Mª Madalena Borges Araújo Psicóloga – Terapeuta de Grupo, Família, Casal e Indivíduo Especialista em Terapia Familiar Sistêmica




Postado por Abner Morilha

domingo, 17 de abril de 2011

O Desenvolvimento do Apego Psicológico na Criança Parte 1 - Contexto

CONTEXTO
Vivemos em um mundo relacional, o relacionamento para nós humanos é fundamental, muitas vezes ter sucesso ou não depende do modo como nos relacionamos com os outros.
Somos seres impulsionados para relações, logo que nascemos comunicamos nossa chegada através do choro, e reclamamos nossas refeições de imediato, pois estamos programados para sugar o seio em busca de alimento.

Nos primeiros anos de vida relacional:
Nossos pais nos ensinam os rudimentos das relações, com os objetos de modo geral e com as pessoas, por ex. Não bate, não morde, dá um pedaço para seu amigo, empresta o seu brinquedo, se ele te bater você se defende, se ele te ofender você xinga também, empresta seu lápis, não dá seu lanche, etc.....


Na escola:

Continuamos nossa caminhada, agora fazemos amigos e inimigos, as coisas começam a complicar. As crianças tímidas sofrem, as espontâneas demais também, começam os ajustes da vida. Não aprendemos conceitualmente as relações, e ficamos sem parâmetros, na matemática temos as regras, no Português também, Geografia e história estão tudo bem explicado nos livros, mas como se relacionar com as outras pessoas não tem livro, vamos crescendo e aprendendo na prática, e isto muitas vezes é difícil e doloroso. Nos custa apanhar, bater, gostar, odiar, ser odiado, fazer parte da turma ou não, sofrer rejeição, rejeitar etc.


Na adolescência:

Como sobreviver na adolescência, é quase uma metamorfose, muda o corpo, a voz, o modo de ver e sentir as coisas e as pessoas, tudo fica meio chato e sem graça, vamos em busca de novos horizontes – o modo de perceber e conceber o mundo e as pessoas muda. O mundo fica difícil sob vários aspectos ou quase todos, ninguém nos entende e se entende é por pouco tempo, logo perdemos a razão, nossas reivindicações parecem fora de propósito para nossos pais, tios avós. Somente nossos amigos nos entendem, com frequência os pais deles também não os entendem. O mundo fica meio hostil.


Na Juventude:

As primeiras relações no ambiente de trabalho, quantas vezes nos deparamos com situações difíceis por falta de habilidade interpessoal, temos que lidar com chefias difíceis, com colegas invejosos, ou dificuldades em expressar nossas opiniões de forma clara, colocar limites em nossos relacionamentos. Ter nossas próprias opiniões, fazer escolhas tomar decisões, assumir responsabilidades. Escolher carreira, escolher um parceiro (a).


Na vida adulta:

Escolhemos nossos parceiros, sem saber direito o que nos atrai, e o que a outra pessoa viu em nós para querer casar também. Casamos sem entender muito bem como funciona um relacionamento a dois e vamos vivendo, no início tudo e lindo e maravilhoso lentamente os problemas aparecem e não temos a menor idéia de como consertar as coisas. Queremos sempre voltar ao estado de paixão anterior e só pioramos as coisas.


Decidimos ter filhos:

Mas raramente as pessoas avaliam com o devido cuidado a situação, ter filhos ou não e suas consequências, a mudança na vida do casal, a vinda do bebê etc. Mais uma vez vamos aprender na prática como cuidar de um bebê, somos invadidos por montes de conselhos dos mais velhos e achamos que não é nada daquilo, mas também não sabemos direito o que é, fica tudo meio confuso. Em meio a essa confusão criamos os nossos filhos e a história se repete de geração em geração. Educar os filhos é a fase mais difícil, porque os bebes, as crianças, os adolescentes não vêm com manuais.


Idade madura:

Estamos novamente na mesma situação, tendo que nos virar na vida sem saber exatamente como, começa o circulo novamente. A psicologia vem nos socorrer nas questões relacionais, vem nos ensinar como desde pequenos podemos ser educados emocionalmente. A teoria do apego é uma teoria simples que pode ser aplicada por qualquer pessoa que entenda como ela funciona. Porém, educar pessoas pressupõe primeiro a própria educação e para isso é necessário um investimento no desenvolvimento das relações interpessoais.

Curso de Pós Graduação em Aconselhamento - FTBSP
Autora:
Mª Madalena Borges Araújo Psicóloga – Terapeuta de Grupo, Família, Casal e Indivíduo Especialista em Terapia Familiar Sistêmica Postado Por Abner Morilha

O Desenvolvimento do Apego Psicológico na Criança - Sumario

O Desenvolvimento do Apego Psicológico na Criança
Matéria de Pós Graduação ministrada pela Professora Maria Madalena Borjes Araújo. Sumario:

  1. Introdução

  2. O Desenvolvimento do Apego na Criança (0 a 12 meses)

  3. Funcionamento do sistema de apego

  4. Padrões de Apego; 4.1 Apego Seguro; 4.2 Apego Ansioso Ambivalente; 4.3 Apego Ansioso Evitador

  5. Persistência e influência dos modelos (1 a 3 anos)

  6. Desenvolvimento das habilidades de relacionamento (a partir de 4 anos)

  7. Crianças em idade Pré-escolar (5 a 6 anos)

  8. Crianças em idade Escolar – Relacionamento com professores

  9. Relacionamento com Pais (em torno de 6 anos)

  10. A Internalização de Modelos

  11. A intervenção na relação Pais-Bebê

  12. Configurações do Apego Complexo de Édipo

Boa Leitura!


Abner Morilha



O Estudo será dividido em 12 partes. Boa Leitura! Abner Morilha

sábado, 9 de abril de 2011

Alguns Pontos Importantes sobre Aconselhamento Parte 2












Ao receber instruções sobre o que devem fazer, o aconselhando pode confundir a opinião do conselheiro com a opinião de Deus e sentem-se culpados e incompetentes se não conseguem seguir as instruções do conselheiro.


Este tipo de abordagem emperra o amadurecimento espiritual e emocional do aconselhando e gera um nível elevado de dependência. O excesso de envolvimento pode fazer com que o conselheiro perca a objetividade e isto, por sua vez reduz a eficácia do aconselhamento.

Muitas vezes no aconselhamento a clareza dos papeis e das responsabilidades muitas vezes não são distinguidas e esta falta de clareza pode tornar o processo do aconselhamento ineficaz.

É importante que se faça uma avaliação periódica por parte do aconselhador no atendimento realizado. É possível e importante que mantenhamo-nos alerta quanto a possíveis problemas em nosso processo de aconselhamento desta forma proponho as seguintes perguntas:

• Por que acho que esta é a melhor ou pior pessoa que já aconselhei?
• Por que motivo eu ou o aconselhando sempre nos atrasamos para a sessão?
• Existe uma razão para que eu ou o aconselhando, queiramos mais (ou menos) tempo de sessão
do que o combinado? • Será que eu tenho uma reação exagerada toda as vezes que esta pessoa diz alguma coisa? • Eu fico entediado quando estou com esta pessoa? Isso acontece por causa dela, por minha causa ou por ambos?
• Por que eu sempre discordo ou concordo com essa pessoa?

• Eu sinto vontade de encerrar este relacionamento, ou de mantê-lo, mesmo sabendo que deveria acabar?

• Estou começando a sentir muita simpatia pelo aconselhando?

• Eu penso frequentemente nessa pessoa, tenho fantasias com ela, ou demonstro um interesse anormal por ela ou pelo seus problemas?
Se a resposta for afirmativa, por que isso acontece? Estas perguntas podem ajudar-nos a enxergar nossas verdadeiras intenções ou aquilo que nos impulsiona a estar em um processo de ajuda.
Para que o a relação de ajuda se estabeleça com competência é importante que o conselheiro seja: a) Uma pessoa disponível;
b) Competência envolvida – Disposição para ouvir;

c) Escuta com qualidade;

d) Acolhimento – Humanidade;

e) Uma pessoa que transmita simpatia e aceitação;

f) Uma pessoa de quem se goste – Afetivo.

g) Que não se embaraça com afetividade;

h) Colocar uma distancia. Traçar um limite e ficar atento a este limite;

i) Não fazer jogos de sedução;


Abraços,


Abner Morilha Psicológo e Conselheiro


Referência Bibliográfica: COLLINS, Gary R. Aconselhamento Cristão. Edição Século 21. São Paulo: Vida Nova, 2004. p.30 -34.

domingo, 3 de abril de 2011

Alguns Pontos Importantes sobre Aconselhamento Parte 1




       Fronteiras entre
       Aconselhamento e Psicoterapia:








A não distinção entre a atuação do conselheiro e a do psicólogo na maioria das vezes não fica muita clara. Portanto, não raras vezes há um intercruzamento nestas competências e algumas indisposições podem surgir neste encontro.

Por isso, é importante tentar traçar uma linha que apesar de tênue pode dar algumas fundamentações para o trabalho do conselheiro.

No processo da relação o conselheiro de deve atentar-se para algumas questões importantes:

a) Precipitação versus cautela: Um conselheiro não deve ficar perdendo tempo, entretanto não deve apressar o processo de cura.

b) Preconceito versus imparcialidade: Momentos de confronto devem fazer  parte do atendimento. O aconselhando precisa ser confrontado por causa do pecado ou comportamento inadequado.

c) O Envolvimento emocional em vez de objetividade: Fronteira tênue entre o carinho e se tornar tão envolvido a ponto de não poder prestar ajuda alguma.

d) Dar ordens em vez de explicar: Talvez o desejo inconsciente do conselheiro seja querer dominar e exercer controle.

e) Artificial em vez de Autentico: Não necessitamos ser perfeitos e o fardo de cometer erros e ter sempre o conhecimento e a habilidade necessária para resolver qualquer problema, não precisa fazer parte do nosso repertorio.

O conselheiro deve estar atento a sua vulnerabilidade.

Alguns aconselhados têm o desejo consciente ou inconsciente de manipular, frustrar ou não cooperar e os mecanismos mais utilizados para frustrar um conselheiro e aumentar a sua vulnerabilidade são:

a) Manipulação;
b) Contratransferência;
c) Resistência.

Outro fator importante é que grande parte do sucesso de um conselheiro reside em prestar atenção em silêncio e refletir naquilo que o aconselhando está dizendo.

Deve-se respeitar o timing do aconselhando, pois quando o conselheiro tenta avançar muito em uma sessão, o aconselhando se sente esmagado e, muitas vezes, fica confuso. Ele só consegue absorver uma ou duas noções principais por sessão, por isso, o aconselhamento deve ser ritmado e sem atropelos.

Quando não há este respeito ao tempo interno do cliente, o aconselhando quando se sente atacado ou ameaçado poderá reagir de 3 formas:

1) Defender-se geralmente com agressividade
2) Resegnar-se
3) Continuar com o conselheiro temporariamente, de má vontade.

Espero que esta pequena reflexão possa contribuir em suas relações.

Abraços,

Abner Morilha
Psicológo e Conselheiro


Referência Bibliográfica:
COLLINS, Gary R. Aconselhamento Cristão. Edição Século 21. São Paulo: Vida Nova, 2004. p.30 -34.

quarta-feira, 26 de maio de 2010

Por que tenho medo de lhe dizer quem sou? (Powells) - Parte 2 - Por Abner Morilha

Segundo Powel os papéis e os jogos são comuns nas relações humanas e não há qualquer restrição com relação ao sexo ou idade e nos tornarmos peritos naqueles que usamos com maior freqüência.

È certo que todos nós utilizamos de mascaras e vivenciamos jogos e papéis para manter a sobrevivência e podermos interagir com o próximo.

Também é certo que os jogos e papéis distorcem a verdade sobre o que temos de melhor para partilhar e que questionar-se com relação a que jogos utilizo, o que estou buscando, o que estou escondendo e o que estou tentando ganhar são perguntas cruciais para me ajudar a sair dos jogos e papéis adotados.

Creio que é fundamental que façamos o caminho das retiradas das mascaras e que este nos leve ao nosso mais profundo “eu”.

Por outro lado, parece-me que é praticamente impossível o vivermos sem desempenhar papeis em nossas relações. Pois em cada situação ou circunstancias assumimos diferentes posições e isto é mais do que esperado. Em meu trabalho não cabe me comportar como pai, como filho, como esposo ou mesmo como conselheiro.

A manutenção de alguns papéis é vital para o bom relacionamento e para a saúde mental. Creio que o problema é quando nos fixamos em papéis impostos e quando não temos consciência dos papéis que vivemos.

A energia despendida para a manutenção daquilo que não somos exaure as forças criativas que estão disponíveis para nós.

Caminhar em direção a autenticidade deve ser nosso objetivo, mas sem ingenuidade é importante pontuar que viver em sociedade demanda a vivência de certos papeis. O grande problema é quando os papeis dominam nossas vidas e nos afastam de quem realmente somos. Parece que o grande erro é quando o papel me possui e norteia minhas ações e relações.

Parece que até certa medida podemos avançar nos livrando dos papéis impostos e dos jogos que diminuem o próximo e a nós mesmos, mas creio que até naquilo que somos de mais essencial também de certa forma assume algum tipo de papel.

Bibliografia:
POWELLS, John – Por que tenho medo de lhe dizer quem sou?

quarta-feira, 12 de maio de 2010

Por que tenho medo de lhe dizer quem sou? (Powells) - Parte 1 - Por Abner Morilha

Desempenhamos diferentes papéis em nossas relações humanas e juntamente com estes podemos associar inúmeros mecanismos de defesa.

A importância de se ter consciência dos jogos e papéis que adotamos é de fundamental importância para não cairmos nas manipulações de nossos mecanismos e das pessoas que nos rodeiam.

Alguns dos papéis e jogos que adotamos:

a) Sempre Certo – raramente perde a discussão.

b) Todo Coração – Preocupação excessivamente amável e sentimental das pessoas.

c) Corpo Bonito – Atenção excessiva ao corpo.

d) Valentão – Em geral é um brigão, também se a situação permitir quer dominar os outros.

e) Palhaço – Pensa que a única forma de ganhar reconhecimento é “bancando o bobo”.

f) Competidor – Deve vencer a qualquer preço.

g) Conformista – Abandona toda a individualidade em função dos outros.

h) Ranzinza – Passa mensagem das coisas que o incomodam tentando assim garantir o mínimo de tensão possível

i) Cético – Irrealista desmoralizado. As coisas não saíram como planejado e ele “desconta” suas desilusões nos outros.

j) Iludido pela grandeza – Sua conversa é centrada na palavra “eu”. Há sempre um esforço para proteger o ego das humilhações.

k) Dominador – Desejo exagerado de controlar a vida dos outros e até seus pensamentos.

l) Sonhador – O objetivo é escapar da realidade.

m) Bebedor – Viciado em drogas – Busca alivio momentâneos e a sensação de liberdade, pois se sentem embaraçados e pouco a vontade com os outros.

n) Flertador – Nunca cultivam qualquer tipo de aprofundamento emocional.

o) Frágil – Peguem com cuidado – Seus canais lacrimais estão sempre abertos e é capaz de depressões instantâneas, desta forma evita que as pessoas deleguem-lhe qualquer responsabilidade e se proteger de críticas honestas.

p) Fofoqueiro – É incapaz de usar todo o potencial de suas habilidades; é derrotista e sente-se pesaroso por não poder compreender a seu próprio ego ideal.

q) Hedonista – Prazer acima de tudo.

r) Eu... eu... eu... – Tudo voltado para si.

s) Inferior e culpado – Conflito entre o eu ideal e o eu real.

O ideal é que nós livremos dos papéis e vivamos o que essencialmente somos o que também é de difícil compreensão já que somos também produto de inúmeras interações e relações. O caminho do descobrimento de quem somos passa pelo caminho das perdas e do desnudar-se das armaduras e este processo cobra um alto preço. Cada mecanismo de defesa acionado é uma tentativa de proteger o ego de ataques externos, portanto até certa medida é importante que os mecanismos de defesa estejam armados o problema é o excesso e o grau em que eles funcionam.

Bibliográfia:
POWELLS, John – Por que tenho medo de lhe dizer quem sou?

terça-feira, 27 de abril de 2010

Modelos de Aconselhamento e de Psicoterapia - Parte 3 - Por Abner Morilha

Conclusão:

O reducionismo da visão unidimensional e da visão bidimensional fecha portas e restringe as possibilidades de tratamento do aconselhado ao passo que a visão do homem como um ser integral possuidor de corpo, alma e espírito abre fronteiras para um tratamento mais completo e eficaz.

A reflexão de que as intervenções, dos conselheiros, terapeutas, médicos, educadores, ou seja, lá qual for a profissão da pessoa, vai depender da visão e dos pressupostos antropológicos que este profissional tem do homem é com certeza um dos pontos mais fortes do texto.

*Tratado científico sobre a descrição e classificação dos fenômenos, que se propõe a ser uma ciência do subjetivo, dos fenômenos e dos objetos como objetos.

Fenomenologia deriva das palavras gregas: (i) phainesthai, que significa aquilo que se mostra, e (ii) logos que significa estudo, sendo etimologicamente então "o estudo do que se mostra".

Na filosofia de Edmund Husserl é o método de apreensão da essência absoluta das coisas.

A fenomenologia tem como objeto de estudo o próprio fenômeno, isto é, as coisas em si mesmas e não o que é dito sobre elas; assim sendo, a investigação fenomenológica busca a consciência do sujeito através da expressão das suas experiências internas. A fenomenologia busca a interpretação do mundo através da consciência do sujeito formulada com base em suas experiências.

O método fenomenológico consiste em mostrar o que é apresentado e esclarecer este fenômeno. Para a fenomenologia um objeto é como o sujeito o percebe, e tudo tem que ser estudado tal como é para o sujeito e sem interferência de qualquer regra de observação cabendo a abstração da realidade e perda de parte do que é real, pois tendo como objeto de estudo o fenômeno em si, estuda-se, literalmente, o que aparece. Para a fenomenologia um objeto, uma sensação, uma recordação, enfim, tudo tem que ser estudado tal como é para o espectador.

Bibliografia:


Uma arte de Cuidar Jean-Yves Leloup. Estilo Alexandrino
No caminho do Autoconhecimento – Victor Frankl e outros
Comentário Versículo por Versículo- Genesis R.N. Champlin

terça-feira, 20 de abril de 2010

Modelos de Aconselhamento e de Psicoterapia (Jean-Yves Leloup) Parte 2 - Por Abner Morilha

Os argumentos principais para defender a existência de algo que vai além do corpo físico são:

a) Que a visão mais multidimensional do homem já havia sido observada muitos anos atrás pelos “terapeutas” de Alexandria;

b) Fala de relatos de experiências da alma fora da alma do corpo, e de sua independência com relação a estes. Narra a experiência de um cego que foi considerado clinicamente morto, mas que depois de alguns esforços de reanimação, ele voltou a vida e descreveu a sala em que estava, a cor da meia do cirurgião e vários detalhes da sala que nem mesmo o pessoal que ali estava haviam notado;

c) Cita a rejeição de órgãos como sendo uma prova de que o homem vai além do corpo em si. Que a “engrenagem” que é o corpo humano é animada por uma alma. Menciona, ainda, que a rejeição pode ser explicada pelo fato de nem sempre a pessoa estar pronta para a doação e para outros, a doação está inscrita no próprio corpo;

d) Discorre também sobre a dimensão noética (dimensão espiritual) do ser humano e diz que podemos alcançar está dimensão por meio do silêncio da alma. Diz que espaço puro de silêncio é a parte divina do ser humano;

e) Fala de estudos realizados que mostram que o cérebro é formado para entrar em contato com diversos níveis de consciência que chamamos de transcendência;

f) Utiliza-se das Escrituras, especificamente uma parte do texto de do Evangelho de João, para dar respaldo à visão quadridimensional.

Nossa visão de homem ou o nosso pressuposto antropológico determinará o modo como iremos tratar o ser humano e influenciará com certeza nossas intervenções como conselheiros. Somos mais do que corpo, somos seres criados à imagem e semelhança de Deus e carregamos em nós a capacidade de transcender para além da matéria e para além de nossos instintos e impulsores.

As idéias de Leloup são interessantes entretanto os argumentos utilizados pelo autor para defender suas idéias, a meu ver, são fracos e questionáveis:

1º) Afirmar que “cada uma dessas visões é fundada na experiência; é aceitável se levarmos em consideração que o método de pesquisa é a fenomenologia* agora afirmar que “não são crenças” (pág. 44) é esconder o sol com uma peneira. Tudo neste universo subjetivo tem haver com a crença e construo minha visão de homem por meio dos construtos que acredito, que recebi e que experiencializei.

2º) “Cada um observa o outro e o que acontece dentro dos limites da sua percepção. Cada um vê aquilo que pode conter ou, por vezes, o que se quer ver. Há dimensões, às vezes, que o observador não quer ver e que não quer tomar consideração" (pag.44).
Minha questão é se a minha observação passa pelo filtro do que quero ver, então minha observação é também contaminada pelos meus pressupostos e, portanto questionáveis, pois outra pessoa pode viver o mesmo fato ou observar a mesma situação e interpretá-los de forma completamente diferente.

3º) Defender a existência da alma usando como exemplo a questão da rejeição de órgãos transplantados é uma defesa fraca, tendenciosa e sem qualquer base científica.

**Explicação da razão da rejeição de órgãos transplantados pelo Dr. Telesforo Bacchella, professor de Cirurgia, membro da Câmara Técnica de Fígado da Central de Transplantes da Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo e membro do conselho da ABTO.
Portanto, a rejeição de órgãos transplantados não tem nada haver com a “alma estar pronta ou não para doar” (pág. 45). Este tipo de idéia infundada pode até prejudicar a doação de órgãos que, infelizmente, já é mínima no Brasil, e assim impedir pessoas que poderiam ter uma qualidade de vida melhor por meio de um transplante.

4º) Ao afirmar (pág. 48) que nossa alma não tem enfermidades do nosso corpo, nem limites e talvez nem mesmo a sua idade. Eliminaram-se as doenças da alma. Creio que o tipo de enfermidade que acomete o corpo físico é diferente das enfermidades que acometem a alma humana porque se diferem um do outro em estrutura e função.

5º) A visão quadridimensional na qual o homem é visto como possuidor de corpo, alma, espírito e que este composto chamado humano é atravessado por um sopro (pneuma) é interessante entretanto, deveria ser mais fundamentada. Este conceito foi fundamentado de maneira superficial e leviano. O autor utilizou passagens bíblicas sem contexto e sem referências. Não senti firmeza no uso das passagens bíblicas, na interpretação do hebraico e do grego; a impressão que tive é que o autor buscou as palavras no original grego e hebraico para dar uma impressão de seriedade e profundidade, pois ele não localiza nenhuma de suas citações nas escrituras. Cabe aqui e velha frase “Texto fora de contexto é pretexto”.

Bibliográfia:
Uma arte de Cuidar Jean-Yves Leloup. Estilo Alexandrino
No caminho do Autoconhecimento – Victor Frankl e outros
Comentário Versículo por Versículo- Genesis R.N. Champlin

quarta-feira, 14 de abril de 2010

Modelos de Aconselhamento e de Psicoterapia (Jean-Yves Leloup) Parte 1 - Por Abner Morilha

Leloup tem visão quadrimensional do ser humano. Sempre vi o homem como possuidor de corpo, alma e espírito (tricotomia, tridimensional ou tripartido) e não como quadrimensional. É bem esclarecedora e didática a forma como o Leloup expõe suas idéias e conceitos.

É interessante salientar os pressupostos antropológicos e as quatro grandes visões do ser humano:

Primeira é a visão do Homem Unidimensional. O ser humano é matéria, e não há nada mais, além disso. (Totalmente reducionista)

Segunda é a visão do Homem Bidimensional ou Dualista. O ser humano é composto de corpo e alma. Matéria animada, informada. Essa informação poderá perdurar além do corpo físico.

Terceira é a visão do Homem Tridimensional ou Tripartida. O ser humano é composto por matéria, pela alma e pela fina ponta da alma, que o espírito.

Quarta é a visão do Homem Quadrimensional. O ser humano é visto com possuidor de um corpo, uma alma, um espírito; e o que dá consistência e esse composto humano é o que chamamos de Pneuma, o Sopro ou o Espírito Santo.

É importante também destacar que a visão antropológica do homem irá direcionar o tipo de terapeuta, conselheiro e, porque não dizer, de pessoa que sou ou que irei me tornar.

A nossa representação de ser humano é na verdade a chave para construir minha visão de homem e de mundo.

Vale enfatizar também a Abordagem Transdisciplinar

Segundo Leloup, o terapeuta cuida do corpo como médico, o que supõe conhecimentos específicos nesse corpo e escuta as suas diferentes experiências através da palavra, dos sonhos, dos acontecimentos. Essa escuta pede as competências do psicólogo.

O terapeuta escuta também a dimensão que está além do psiquismo do ser humano; ele é um médico, é um psicólogo, mas também é alguém que pratica a meditação (oração). O terapeuta também é alguém que invoca o Espírito Santo, sobre o corpo doente ou o psiquismo perturbado. Nesta competência, o fator que faz a diferença é a meditação (oração).

Bibliográfia: Jean-Yves Leloup. Uma arte de Cuidar – Estilo alexandrino- Organização de Suzana Beiro – Editora Vozes - Petrópolis, p.40-57

quarta-feira, 24 de março de 2010

A Arte do Aconselhamento Psicológico Parte 2 - Rollo May - Por Abner Morilha

Tensão Religiosa

De acordo com May o objetivo da psicanálise era reunificar a vida mental, trazendo o conflito do inconsciente para a consciência. A partir desta ênfase muitas pessoas acham que o individuo será tanto mais saudável, quanto mais unidade alcançar a integração em sua personalidade. Jung enfatiza a unificação da consciência do individuo a vários substratos de seu inconsciente e a meta adleriana de alcançar a integração do individuo à sociedade dão igualmente margem à interpretação de que a aspiração suprema é a unidade no intimo da mente do individuo.
É certo que a pessoa neurótica sofre um colapso na unidade de suas funções mentais. E orientá-la para um ajustamento efetivo é mais do que desejável. Porém, não é correto dizer que a simples e definitiva unidade no interior da personalidade é o ideal.

Uma unidade final na personalidade humana é impossível e indesejável. Pois a personalidade é dinâmica e não estática, criativa e não vegetativa.
A extinção dos conflitos também não é algo desejado. O foco é transformar os conflitos destrutivos em conflitos construtivos.

Um sentimento de culpa exagerado está muitas vezes relacionado à neurose e a religião não devidamente esclarecida, já inúmeras vezes favoreceu um sentimento de culpa mórbido em seus adeptos.
O sentimento de culpa é uma emoção construtiva e positiva. É a percepção da diferença entre o que uma coisa é e o que esta coisa deve ser. Todos nós experimentamos algum sentimento de culpa muitas vezes ao dia.

A culpa é inerente à condição humana. Por isso o ser humano também é religioso.

A existência do sentimento de culpa prova a existência de uma contradição na natureza do homem. Significa dizer que o homem é tanto da terra quanto do espírito. Quer dizer que se o homem tentar viver somente em termos naturais, como os animais, torna-se neurótico.
E esta tensão é porque o homem deve conter dentro se si a tensão entre dois aspectos opostos do mundo.

O incondicionado e o condicionado. O homem não é uma criatura totalmente horizontal nem totalmente vertical. Ele vive tanto horizontalmente quanto verticalmente. E é a interseção desses dois planos que causam tensão básica no homem.

As religiões do homem provem, segundo May, dessa suprema tensão. Nesse ponto de interseção entre o vertical e horizontal surge no homem o senso dos imperativos morais

Podemos conclui que o individuo saudável deve ter um ajustamento criativo com Deus e que uma religião sadia é indispensável à saúde da personalidade.

È função do aconselhador auxiliar o aconselhando a livrar-se do sentimento de culpa doentio, ao mesmo tempo que o ajuda a aceitar e afirmar corajosamente a tensão religiosa inerente à sua natureza.

Podemos utiliza das teorias psicológicas sem perder a compreensão espiritual do homem. Ao trabalhar a personalidade levando em consideração a liberdade, integração social e tensão religiosa, podemos trazer uma luz maior para o trabalho do conselheiro.

Referencia Bibliográfica:

Rollo May. Arte do Aconselhamento Psicológico, Editora Vozes, Petrópolis, pg. 38-64

segunda-feira, 15 de março de 2010

A Arte do Aconselhamento Psicológico Parte 1 - Rollo May - Por Abner Morilha

Rollo May traz uma visão aberta e integral do ser humano. Ele considera todas as instâncias da pessoa. E trata o individuo como um todo indivisível, sem reducionismo.

May indaga “Quem é o homem?”, pois a eficiência do nosso aconselhamento está ligada a nossa capacidade de compreender quem é este homem. Fala da necessidade de termos um conceito deste homem que será o ponto de partida para qualquer abordagem. E que se não adotarmos um conceito conscientemente adotaremos um inconscientemente, pois segundo May é impossível seguir adiante em um atendimento sem se ter um conceito de homem permeando e direcionando o atendimento.

A personalidade é caracterizada pela liberdade, individualidade, integração social e tensão religiosa. E estes quatros princípios são essenciais para a personalidade humana, pois a personalidade é a concretização do processo-da-vida num individuo livre, socialmente integrado, que possui uma tensão religiosa.

Liberdade

May enfatiza ainda a importância de Freud para a compreensão do homem. Diz que Freud descobriu que a profundidade da natureza humana estava contida nos domínios profundos e poderosos da inconsciência e que ele mostrou o lado feio do ser humano, por isso também foi rechaçado e tão criticado no início de seu trabalho.

Fala dos mecanismos de repressão observado por Freud e de todo sistema que ele criou para analisar a personalidade humana. Diz que o processo central da psicanálise consiste em retirar o conflito das trevas da inconsciência para a luz da consciência, onde ele pode ser reconhecido e razoavelmente manipulado.

Cita o Insight e da força do reino do inconsciente e de como ele determina vários fatores em nossas vidas.

May também nos alerta do perigo da interpretação determinística da personalidade como um todo, fazendo do sistema simplesmente um esquema de causa e efeito: O impulso instintivo bloqueado leva a repreensão, esta leva ao complexo psíquico e este, por sua vez, à neurose. E a cura consiste, teoricamente, na reversão do processo.

As pessoas podem construir uma visão mecanicista e determinista da personalidade, tornando-se então vítima de seus impulsos instintivos e que a sua única salvação está em dar livre curso a libido sempre que este impulso surgir.

Se um determinismo desta espécie for aceito a responsabilidade humana é destruída. O ladrão pode dizer: Não fui eu quem roubou a maçã, foi a minha fome.

Um, dos pressupostos de toda psicoterapia é o de que o paciente deve, mais cedo ou mais tarde, aceitar a responsabilidade por si mesmo. E que o determinismo de causa e efeito só é valido na área da neurose de reprensão-complexo. E quando o paciente é libertado do complexo, torna-se responsável pela construção criativa de seu futuro.

A liberdade é um principio básico da condição do homem e é exatamente o que nos difere dos animais, pois como humanos temos a possibilidade de quebrar as cadeias dos instintos e impulsos que tentam nos governar. Está escolha pelo certo, pelo correto, em detrimento do que meus impulsos e desejos querem é o que me leva a condição de gente.

Do ponto de vista psicológico é essencial que acreditemos na liberdade do ser humano em escolher. Importante deixar claro que o aconselhamento nunca é um debate. O aconselhador deve mostras as possibilidades e assim gradativamente, levar o aconselhado a uma aceitação da responsabilidade por sua conduta futura.

Como guia de aconselhamento o primeiro principio da personalidade, a liberdade pode ser resumida da seguinte forma: é função do aconselhador levar o aconselhando a aceitar a responsabilidade pela direção e pelos resultados de sua vida.

Referencia Bibliográfica:

Rollo May. Arte do Aconselhamento Psicológico, Editora Vozes, Petrópolis, pg. 38-64

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